Resenha: A adorável loja de chocolates de Paris – Jenny Colgan

Se você procura por um livro leve, divertido, romântico e com uma protagonista carismática, A adorável loja de chocolates de Paris é a leitura certa para você. Essa história é do gênero chick lit, conhecido por suas personagens principais na faixa dos trinta anos, que estão passando por dificuldades no trabalho e nos relacionamentos em geral. Essa também é a premissa desse livro. Mas o que o destaca dentre tantas outras histórias do gênero é a forma como Jenny Colgan cria uma narrativa que vai muito além dos ships românticos ou das risadas. Essa é uma história emocionante sobre amadurecimento e como o amor pode mudar a nossa vida para sempre.

O livro conta a história de Ana Trent, uma mulher de 30 anos, inglesa, que trabalha numa fábrica de chocolate com processo totalmente automatizado e mecânico, onde ela basicamente só precisa apertar botões. E é nesse cenário onde ela sofre um acidente que deixa uma sequela que a incomoda ao longo de toda a história e mesmo essa sequela não a incapacitando, ela traz muitas discussões sobre autoestima e autoaceitação. Por causa desse acidente, Ana é hospitalizada no mesmo lugar onde sua antiga professora de francês, Claire, está internada fazendo quimioterapia. Lá os laços de aluna e professora começam a ser substituídos por um belo laço de amizade. É então que Claire convence Ana a viajar para Paris e trabalhar numa loja de chocolate artesanal de um velho amigo seu. Desempregada e sem muitas perspectivas, Ana aceita a proposta e é aí que sua vida é transformada. Ela vai ter que aprender a superar muitos medos e a se desafiar. Para Claire, Ana foi como uma ponte e também como uma filha. Com Ana em Paris, Claire teria a oportunidade de ter notícias sobre seu grande amor do passado, Thierry, um chocolatier aclamado pela excelência de seu trabalho, dono da loja onde Ana vai trabalhar. Seria a oportunidade também de ver uma jovem florescer e conquistar todos os sonhos dos quais Claire foi privada por seus pais e pelas circunstâncias.  

A história é narrada em primeira pessoa, pelo ponto de vista de Ana, e também em terceira pessoa, com vários flashbacks do passado de Claire. Você acompanha a chegada a Paris e a maneira como essa cidade modificou as personagens pelo ponto de vista de ambas. Eu me senti caminhando pelas ruas de Paris, senti os sabores, os cheiros, toda a vivacidade da Cidade Luz. Nesse tempo de pandemia onde a gente tem que ficar preso dentro de casa, essa leitura é uma boa oportunidade para viajar sem sair do lugar. Tenho certeza que você vai ficar com água na boca com as receitas que são preparadas na história e vai se sentir tentado a ir no supermercado para comprar uma barrinha de chocolates, só para matar a vontade. 

A adorável loja de chocolates de Paris é um livro que vai te fazer rir, se emocionar e refletir. Eu entendo que essa história não é apenas uma narrativa com início, meio e fim. Cada página, cada capítulo é uma jornada. É como um bom chocolate que você vai degustando aos pouquinhos. O livro não se atém apenas ao romance, é muito mais sobre amadurecimento, sobre escolhas e suas consequências. Para falar a verdade, o romance é bem pé no chão. É muito bacana acompanhar como Ana vai aprendendo a mudar a visão sobre si mesma, deixando de se enxergar como uma simples garota interiorana em solo parisiense e enxergando todo o potencial que ela tem. 

Em alguns momentos, eu tive que parar a leitura para respirar fundo, porque as escolhas feitas pelos personagens, principalmente, por Claire, são muito humanas. Acredito que a mensagem principal que a autora quis transmitir é sobre a vida como ela é. Que nem sempre as coisas acontecem como queremos, como num conto de fadas. Nem sempre a felicidade está no lugar onde esperamos. Muitas vezes, ela se apresenta de outras formas e se estivermos cegos pelos “e se”, talvez não a vejamos. Acho que, no fundo, todos somos um pouco como Claire. 

Eu gostei bastante dessa leitura. Não está na lista dos melhores livros ou das histórias mais surpreendentes que já li. Mas, como eu disse, ler esse livro é uma experiência. É como assistir aquela série com personagens bacanas, onde mesmo as coisas não acontecendo como você esperava, você aprende a gostar das peculiaridades e da jornada de cada um deles. De uma coisa eu tenho certeza, eu não saí a mesma ao final dessa leitura. A mensagem principal desse livro deixou uma marca em mim. Parar por um instante e ver como a vida te oferece tantas possibilidades e deixar de ficar preso ao passado, aproveitando as coisas como elas são e não como deveriam ser. A vida pode não ser fácil, pode não ser um conto de fadas, nosso final feliz pode não ser exatamente como tínhamos imaginado, mas vale a pena vivê-lo, cada mínimo instante.

Se você já leu esse livro, me conta nos comentários o que você achou. Quais suas impressões sobre os personagens, o que você mais gostou ou não gostou? Eu quero saber tudo. Só tome cuidado com os spoilers, vamos respeitar os amigos que ainda não leram a história. Se você ainda não leu, ficou com vontade de ler depois dessa resenha? Deixe seu comentário.

Um beijão e nos vemos em breve!

Resenha: As mentiras que os homens contam – Luis Fernando Verissimo

Título: As Mentiras que os homens contam

Autor: Luis Fernando Verissimo

Páginas: 166

Editora: Objetiva

Ano de Publicação: 2001

Biografia do autor: Com mais de 60 publicações, entre crônicas, contos, romances e quadrinhos, Luis Fernando Verissimo ficou conhecido pelas crônicas de humor publicadas em diversos jornais. Filho do escritor Érico Veríssimo, trabalhou também como cartunista, roteirista, tradutor e publicitário, além de ser músico. Conquista seu público leitor com uma linguagem simples e inteligente que ficou marcada em suas obras. Além disso, costumava utilizar a ironia para tratar de temas delicados, como a política. Verissimo é classificado como um escritor da literatura contemporânea brasileira.

Classificação: ★ ★ ★ ★

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  Péssimo

★ ★  Regular

★ ★  Bom

★ ★ ★ ★  Ótimo

★ ★ ★ ★  Excelente

★ ★ ★ ★ ★  Louvável

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Em As mentiras que os homens contam, Luis Fernando Verissimo descortina, frente ao leitor, a mentira sob a perspectiva masculina. Através de crônicas bem humoradas e com várias pitadas de ironia, o autor expõe as diversas facetas das inverdades contadas pelos homens aos amigos, à namorada, à esposa, ao chefe e assim por diante. Mentiras que vão desde aquelas que são proferidas com a intenção de não magoar alguém querido, até aquelas ditas com a intenção de obter vantagem para si. Algumas delas, bem sucedidas, outras nem tanto. Dessa forma, a realidade é retratada de maneira cômica, através de personagens que, de tão verossímeis, chegam a ser caricatos.

Composta por 21 crônicas narradas de forma leve, As mentiras que os homens contam é uma obra que pode ser lida por completo em um único dia. A linguagem é clara, predominantemente coloquial, o que é uma característica marcante deste gênero literário. Com reflexões profundas, porém objetivas, irá agradar tanto o público jovem, quanto o mais maduro. Tanto os leitores “iniciantes”, quanto aqueles acostumados a leituras mais densas. Além dos aspectos citados acima, ainda há o fator “narrativa surpreendente”. Cada crônica apresenta um desfecho que surpreende e diverte o leitor.

Devido ao não-aprofundamento das características psicológicas dos personagens, outra característica do gênero literário crônica, seria possível presumir que o leitor não se identificaria tanto com os tais. Entretanto, Luis Fernando Verissimo, ao retratar  o cotidiano de maneira tão surpreendente, leva o leitor a enxergar nas narrativas um reflexo daquilo que vê, ou até mesmo pratica, no dia-a-dia. O autor não mostra a mentira apenas como uma característica de indivíduos de má índole, mas apresenta também seu aspecto humano. Na verdade, com uma análise mais aprofundada — e também um pouco de coragem de admitir, acabaríamos por descobrir que todos já fomos calhordas em algum momento de nossas vidas.

Classifiquei essa obra com quatro estrelas, pelo fato dela divertir o leitor, mas além disso, mostrar-lhe uma nova perspectiva da realidade. O professor e crítico literário, Antônio Cândido, em seu artigo ” A vida ao rés-do-chão” (1980), declara: “Ora, a crônica (…) pega o miúdo e mostra nele uma grandeza, uma beleza ou uma singularidade insuspeitadas.” Luis Fernando Verissimo conseguiu captar essas nuances da realidade, que de tão sutis podem passar despercebidas ao espectador desatento, e mostrou o lado singular delas. Apesar de não poder considerá-lo um best-seller, afirmo que esse livro é digno de apreciação. A definição perfeita para tal obra seria: simples e belo. Profundo, porém objetivo. Uma leitura adequada para quem deseja refletir sem cansar a mente.

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Sinopse: “Quantas vezes você mente por dia? Calma, não precisa responder agora. Também não é sempre que você conta uma mentira. Só de vez em quando. Na verdade, quando você mente, é porque precisa. Para proteger o outro – e de preferência, a outra. Foi assim com a mãe, a namorada, a mulher, a sogra. Questão de sobrevivência. Tudo pelo bom convívio social, pela harmonia dentro de casa, para uma noite mais simpática com os amigos. Você só mente, no fundo, para poupar as pessoas, e sobretudo, para o bem das mulheres. Luis Fernando Verissimo, este observador bem-humorado do cotidiano brasileiro, reúne aqui um repertório divertido de histórias assim – tão indispensáveis que, de repente, viram até verdades. Depende de quem ouve. Depende de quem conta. As mentiras que os homens contam reúne crônicas do autor sobre o temas, espalhadas em vários de seus livros ou publicadas nos jornais. Este é o primeiro livro da série de relançamentos da obra completa de Verissimo.”